UM POUCO DA EDUCAÇÃO BÍBLICA DE SAMUEL

A bíblia relata que Samuel foi entregue aos cuidados do sacerdote Eli após ser desmamado. Com isso, o ministro se encarregou de ensinar tudo que sabia ao seu novo hospedeiro. O interessante aqui é que os filhos biológicos de Eli: Hofini e Fineias eram sacerdotes abomináveis aos olhos do Senhor e estavam com seus dias contados na terra.

Deus usou um pai relapso que não corrigia seus filhos para educar aquele que ungiria Davi como rei. (Pecando homem contra homem, os juízes o julgarão; pecando, porém, o homem contra o Senhor, quem rogará por ele? Mas não ouviram a voz de seu pai, porque o Senhor os queria matar. (I Samuel 2:25). 

Samuel foi criado seguindo os costumes sacerdotais, ensinado nas escrituras em um período em que Deus não se manifestada perante o povo que era julgado pelos juízes. (E o jovem Samuel servia ao SENHOR perante Eli; e a palavra do SENHOR era de muita valia naqueles dias; não havia visão manifesta. (I Samuel 3:1). 

Os teólogos afirmam que Samuel ouvira a voz de Deus pela primeira vez por volta de 12 anos de idade! Eu disse 12 anos!

Durante os 11 primeiros anos de sua vida, Samuel provavelmente fora ensinado os costumes sacerdotais, vira seu tutor em seu trabalho sagrado e aprendia tudo que lhe era passado. Até que Deus o chamara pela primeira vez, mas o jovem ainda não sabia como agir perante o Senhor de modo que, não era capaz de distinguir a voz do mesmo com a de seu mestre.

Porém Samuel ainda não conhecia ao Senhor, e ainda não lhe tinha sido manifestada a palavra do Senhor. O Senhor, pois, tornou a chamar a Samuel terceira vez, e ele se levantou, e foi a Eli, e disse: Eis-me aqui, porque tu me chamaste. Então entendeu Eli que o Senhor chamava o jovem. (I Samuel 3:7-8). 

No entanto, aos 12 anos Samuel recebeu a primeira instrução advinda do Senhor. Este é um dos pontos mais maravilhosos e aterrorizantes das escrituras. Maravilhoso pelo fato de Deus comunicar-se com uma pessoa tão jovial e lhe entregar uma palavra de juízo sobre Eli e seus filhos.

Aterrorizante e vexatório para nós cristãos que somos desleixados com os nossos filhos e os criamos sem a instrução do Senhor. Permitimos e agimos conforme a psicologia nos orienta entendendo e minimizando os atos de crianças e adolescentes sob o pretexto da fase de transformação que estão vivendo. Mas eu tenho algo desagradável a lhe dizer: Deus não vê desta forma, ele trata o jovem com responsabilidade e lhe atribui disto desde pequenino, ensina nos evangelhos que eles são fortes. (Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno. I João 2:14). Vocaciona Jeremias, Daniel, Estevão e outros poderosamente utilizados para seus propósitos. 

A responsabilidade maior sobre que rumo os filhos tomarão na vida é dos pais. Ou serão filhos de belial ou tementes ao Senhor dos exércitos e cabe a nós como tutores outorgados por Deus guiá-los nesta caminhada.

 

 

 

 

 

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O QUE APRENDEMOS COM ANA?

A narrativa bíblica dos primeiros capítulos de Samuel discorre sobre alguns preceitos interessantes aos quais podemos refletir e aprender. Neste post, tentarei de forma sucinta encadeá-los.

Havia uma mulher cujo nome era Ana e esta não podia ter filhos porque o próprio Deus havia lhe impedido de dar a luz. (I Samuel 1:6), chegou um momento em que a aflição de Ana alcançou proporções maiores e amargurou a sua alma.

Mesmo com a demonstração de amor de Elcana (seu esposo) em lhe dar uma porção excelente não era suficiente para Ana que tinha que lidar com as provocações de Penina, a outra mulher de Elcana. Ana ficava irritada constantemente por conta das afrontas de Penina e não se alimentava, foi quando seu coração alcançou o ápice da dor e a levou a orar.

O interessante aqui é que o sonho de Ana era conceber um filho varão (Homem), ela queria encerrar o sofrimento imputado pelo próprio Deus. Seu espírito precisava encontrar refrigério (I Samuel 1:15). A rivalidade com Penina não era o fator principal.

Ana tinha algo que a cristandade contemporânea tem perdido gradativamente… Ela sabia quem Deus era. (Não há santo como o Senhor; porque não há outro fora de ti; e rocha nenhuma há como o nosso Deus. I Samuel 2:2).

Conhecia seus atributos, o temia, sabia que ninguém o poderia resistir: (Não multipliqueis palavras de altivez, nem saiam coisas arrogantes da vossa boca; porque o Senhor é o Deus de conhecimento, e por ele são as obras pesadas na balança. I Samuel 2:3.

Era uma mulher consciente da vontade soberana de Deus sobre Todas as coisas. O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela. (I Samuel 2:6).

Ana não hesitou em cumprir a promessa que fizera a Deus, quando Samuel foi desmamado ela o entregou aos cuidados do sacerdote Eli e isto foi por volta de 3-5 anos de idade de Samuel.

Aprendemos com esta mulher que nada determinamos diante de Deus, a palavra positiva, a exigência da restituição do sofrimento nada disto impressiona a Deus. Ele mesmo pode ser o autor de nosso sofrimento para sua glória, pois Samuel logo cresceu diante da majestade celeste e dos homens, sua mãe por sua vez, fora abençoada com mais 5 filhos pelo Senhor.

 

 

 

“SEJA HOMEM, ASSUMA AS CONSEQUÊNCIAS”

— Senhor Felipe?

— Sim, eu mesmo. – Respondeu com a voz embargada.

— Acompanhe-me por favor.

— Mas por que? Aconteceu alguma coisa com a minha esposa?.

— Apenas siga-me, por favor.

A contragosto acenou positivamente ao chamado médico.

—  Então, doutor. Pelo amor de Deus, ME DIZ O QUE ESTÁ ACONTECENDO.

— Com a tranquilidade de quem costuma tratar de situações difíceis todos os dias, o médico observou o prontuário da paciente antes de iniciar o prognóstico:

— Sua esposa chegou aqui com a idade gestacional de 2 meses que são equivalentes a 8 semanas.

— Tá, tá, mas e da aí, como ela está?

— O senhor precisa se acalmar e permitir com que eu continue, é possível?

— Desculpe, doutor é que nas condições que me encontro pedir calma soa irônico. Eu nem perguntei o seu nome…

— Meu nome é Rafael Nogueira. No entanto, é necessário com que eu lhe explique o caso para que esteja preparado diante do que virá pela frente. Enfim, o primeiro trimestre de uma gestação são necessários diversos cuidados para preservar o desenvolvimento do bebê. Ocorre que, algumas complicações se acontecerem durante o período podem causar danos seríssimos e neste caso senhor Felipe, sua esposa teve o nível de estresse elevado essa noite e a queda causou fraturas no crânio da criança que infelizmente veio a óbito.

— Não, isso não pode ser verdade. Deve ser um engano, o senhor tem certeza disso? Fizeram exames de imagem? EU NÃO ACREDITO! — Gritou ao lembrar-se das atitudes de horas atrás.

— Infelizmente, fizemos tudo que estava ao nosso alcance, mas já era tarde. Ah, preferimos não contar a sua esposa por enquanto. Deixaremos isto a cargo do senhor porque precisamos operá-la e retirar o que sobrou do feto para que não venha a ter maiores complicações ou, se ela não concordar, podemos oferecer algum medicamento que ajude a natureza a cumprir o seu curso. Ela está no quarto 506, é só pegar o elevador. Tenha uma boa noite.

O choque daquelas informações travou-lhe as pernas naquele sofá. Sabia que teria que contar a verdade para a esposa, mas não tinha ideia de como.

— Eu poderia ter evitado tudo isso. EU PODERIA TER EVITADO ISSO!

O percurso até o quarto foi realizado vagarosamente. O silêncio do hospital contrastava com a agitação de sua alma. Gritos acusatórios eram entoados em sua mente: — Culpado, imbecil, energúmeno, boçal… 

A hesitação era previsível, mãos na maçaneta, olhos oblíquos pela frecha da fechadura avistavam a figura de uma mulher com os olhos fechados acompanhada de um garrote no braço esquerdo onde as gotas de soro tratavam de hidratar aquele corpo frágil.

O som grave da porta se abriu e tratou de acordá-la.

— Por que Felipe? — ela sussurrou fitando-lhe os olhos.

— Eu… a voz falhou e ele se afastou da cama rumando em direção a saída.

— Espere! É assim que vamos terminar? Além de infiel, burro, você também é COVARDE?

— Talvez seja essa de fato a minha natureza. É possível que eu tenha fingindo ser alguém que nunca fui porque na primeira oportunidade de fazer o que é certo eu preferi o errado. Não tenho sequer argumentos para lhe convencer do contrário. — Baixou a cabeça.

— Felipe, você foi o meu primeiro namorado. A pessoa que escolhi para terminar os meus dias. Esperava uma atitude errada até da minha mãe, mas não de você. Se tomou um rumo diferente foi porque você decidiu por isso.

— Ah, Nanda. Esse é o menor dos nossos problemas nesse momento. — Entrelaçou as mãos na dela e os olhos abalados premeditaram o que viria a seguir.

— Por que está me dizendo isso?

Ele recuou…

— Não sei como lhe dizer isto. Na verdade, não vejo maneira de lhe contar…

— Fala logo, FELIPE! Sobressaltou-se.

— Amor, é o nosso filho…

— O QUE ACONTECEU?

— Ele, ele se foi…

 

 

 

 

 

 

 

 

DOM PEDRO II DO BRASIL

Quando D. Pedro II do Brasil subiu ao trono em 1840, 92% da população brasileira era analfabeta, em seu último ano de reinado em 1889, essa porcentagem era de 56%, devido ao seu grande incentivo a educação, a construção de Faculdades e principalmente de inúmeras Escolas que tinham como modelo o excelente Colégio Pedro II.

A bandeira nacional brasileira tem entre as cores o verde e o amarelo pois a mãe de Pedro II do Brasil, a Imperatriz Leopoldina idealizou e costurou a primeira bandeira nacional sendo o verde a cor símbolo da casa real dos Bragança e o amarelo da casa real dos Habsburgo . Diferentemente como muitos pensam o verde não representa as matas e o amarelo não representa o ouro. Além disso seu pai Pedro I que compôs o nosso primeiro hino nacional que sofreu modificações ao longo da república.

Pedro II do Brasil é Patrono do Corpo de Bombeiros e da Astronomia.

Em 1887, a média da temperatura na cidade do Rio de Janeiro era 24° no ano. No mesmo ano a máxima no verão carioca no mês de janeiro foi de 29°.

A Imperatriz Teresa Cristina cozinhava as próprias refeições diárias da família imperial apenas com a ajuda de uma empregada (paga com o salário de Pedro II).

Em 1871, a Imperatriz Teresa Cristina doou todas as suas joias pessoais para a causa abolicionista, deixando a elite furiosa com tal ousadia. No mesmo ano A Lei do Ventre Livre entrou em vigor, assinada por sua filha a Princesa Imperial Dona Isabel.

(1880) O Brasil era a 4º Economia do Mundo e o 9º Maior Império da História.

(1860-1889) A Média do Crescimento Econômico era de 8,81% ao Ano.

(1880) Eram 14 Impostos, atualmente são 98.

(1850-1889) A Média da Inflação era de 1,08% ao Ano.

(1880) A Moeda Brasileira tinha o mesmo valor do Dólar e da Libra Esterlina.

(1880) O Brasil tinha a Segunda Maior e Melhor Marinha do Mundo. Perdendo apenas para Inglaterra.

(1860-1889) O Brasil foi o primeiro país da América Latina e o segundo no Mundo a ter ensino especial para deficientes auditivos e deficientes visuais.

(1880) O Brasil foi o maior construtor de estradas de Ferro do Mundo, com mais de 26 mil Km.

A imprensa era livre tanto para pregar o ideal republicano quanto para falar mal do nosso Imperador. “Diplomatas europeus e outros observadores estranhavam a liberdade dos jornais brasileiros” conta o historiador José Murilo de Carvalho. “Schreiner, ministro da Áustria, afirmou que o Imperador era atacado pessoalmente na imprensa de modo que ‘causaria ao autor de tais artigos, em toda a Europa, até mesmo na Inglaterra, onde se tolera uma dose bastante forte de liberdade, um processo de alta traição’.” Mesmo diante desses ataques, D. Pedro II se colocava contra a censura.
“Imprensa se combate com imprensa”, dizia.

“Quanto às minhas opiniões políticas, tenho duas, uma impossível, outra realizada. A impossível é a república de Platão. A realizada é o sistema representativo [a Monarquia]. É sobretudo como brasileiro que me agrada esta última opinião, e eu peço aos deuses (também creio em Deus) que afastem do Brasil o sistema republicano, porque esse dia seria o do nascimento da mais insolente aristocracia que o sol jamais alumiou” (Machado de Assis, escritor e fundador da Academia Brasileira de Letras).
1. A média nacional do salário dos professores estaduais de Ensino Fundamental em (1880) era de R$ 8.958,00 em valores atualizados.

2. Entre 1850 e 1890, o Rio de Janeiro era conhecido na Europa como “A Cidade Dos Pianos” devido ao enorme número de pianos em quase todos ambientes comerciais e domésticos.

3. O bairro mais caro do Rio de Janeiro, o Leblon, era um quilombo que cultivava camélias, flor símbolo da abolição, sendo sustentado pela Princesa Isabel.

4. O Maestro e Compositor Carlos Gomes, de “O Guarani” foi sustentado por Pedro II até atingir grande sucesso mundial.

5. Pedro II tinha o projeto da construção de um trem que ligasse diretamente a cidade do Rio de Janeiro a cidade de Niterói. O projeto em tramito até hoje nunca saiu do papel.

6. Pedro II mandou acabar com a guarda chamada Dragões da Independência por achar desperdício de dinheiro público. Com a república a guarda voltou a existir.

7. Em 1887, Pedro II recebeu os diplomas honorários de Botânica e Astronomia pela Universidade de Cambridge.

8. Desconstruindo boatos, D. Pedro II e o Barão/Visconde de Mauá eram amigos e planejaram juntos o futuro dos escravos pós-abolição. Infelizmente com o golpe militar de 1889 os planos foram interrompidos.

9. Oficialmente, a primeira grande favela na cidade do Rio de Janeiro, data de 1893, 4 anos e meio após a Proclamação da República e cancelamento de ajuda aos ex-cativos.

10. D. Pedro II tinha 1,91m de altura, quando a média dos homens brasileiros era de 1,70m e mulheres 1,60m.

11. Na época do golpe militar de 1889, D. Pedro II tinha 90% de aprovação da população em geral. Por isso o golpe não teve participação popular.

12. José do Patrocínio organizou uma guarda especialmente para a proteção da Princesa Isabel, chamada “A Guarda Negra”. Devido a abolição e até mesmo antes na Lei do Ventre Livre , a princesa recebia diariamente ameaças contra sua vida e de seus filhos. As ameaças eram financiadas pelos grandes cafeicultores escravocratas.

13. O Paço Leopoldina localizava-se onde atualmente é o Jardim Zoológico.

14. O Terreno onde fica o Estádio do Maracanã pertencia ao Duque de Saxe, esposo da Princesa Leopoldina.

15. Santos Dumont almoçava 3 vezes por semana na casa da Princesa Isabel em Paris.

16. A ideia do Cristo na montanha do corcovado partiu da Princesa Isabel.

17. A família imperial não tinha escravos. Todos os negros eram alforriados e assalariados, em todos imóveis da família.

18. D. Pedro II tentou ao parlamento a abolição da escravatura desde 1848. Uma luta contra os poderosos fazendeiros por 40 anos.

19. D. Pedro II falava 23 idiomas, sendo que 17 era fluente.

20. A primeira tradução do clássico árabe “Mil e uma noites” foi feita por D. Pedro II, do árabe arcaico para o português do Brasil.

21. D. Pedro II doava 50% de sua dotação anual para instituições de caridade e incentivos para educação com ênfase nas ciências e artes.

22. D. Pedro Augusto Saxe-Coburgo era fã assumido de Chiquinha Gonzaga.

23. Princesa Isabel recebia com bastante frequência amigos negros em seu palácio em Laranjeiras para saraus e pequenas festas. Um verdadeiro escândalo para época.

24. Na casa de veraneio em Petrópolis, Princesa Isabel ajudava a esconder escravos fugidos e arrecadava numerários para alforriá-los.

25. Os pequenos filhos da Princesa Isabel possuíam um jornalzinho que circulava em Petrópolis, um jornal totalmente abolicionista.

26. D. Pedro II recebeu 14 mil votos na Filadélfia para a eleição Presidencial, devido sua popularidade, na época os eleitores podiam votar em qualquer pessoa nas eleições.

27. Uma senhora milionária do sul, inconformada com a derrota na guerra civil americana, propôs a Pedro II anexar o sul dos Estados Unidos ao Brasil, ele respondeu literalmente com dois “Never!” bem enfáticos.

28. Pedro II fez um empréstimo pessoal a um banco europeu para comprar a fazenda que abrange hoje o Parque Nacional da Tijuca. Em uma época que ninguém pensava em ecologia ou desmatamento, Pedro II mandou reflorestar toda a grande fazenda de café com mata atlântica nativa.

29. A mídia ridicularizava a figura de Pedro II por usar roupas extremamente simples, e o descaso no cuidado e manutenção dos palácios da Quinta da Boa Vista e Petrópolis. Pedro II não admitia tirar dinheiro do governo para tais futilidades. Alvo de charges quase diárias nos jornais, mantinha a total liberdade de expressão e nenhuma censura.

30. Thomas Edison, Pasteur e Graham Bell fizeram teses em homenagem a Pedro II.

31. Pedro II acreditava em Allan Kardec e Dr. Freud, confiando o tratamento de seu neto Pedro Augusto. Os resultados foram excelentes deixando Pedro Augusto sem nenhum surto por anos.

32. D. Pedro II andava pelas ruas de Paris em seu exilio sempre com um saco de veludo ao bolso com um pouco de areia da praia de Copacabana. Foi enterrado com ele.

33. A Princesa Isabel já em seu exilio em 1904 foi perguntada por que a família raramente usava as joias Imperiais no Brasil. Princesa Isabel respondeu que tanto ela como sua mãe, sabia que aquelas joias não as pertenciam. Que poderiam usar a qualquer hora em qualquer ocasião, mas raramente enxergavam motivos para usa-las. “Ainda mais se tratando de adornos grandes, pesados e de extrema “arrogância” com nosso povo”.

34. Em Particular a Imperatriz Teresa Cristina sempre foi alvo de jornais e nobres da época por sua simplicidade e falta de capricho em seus trajes e adornos. Sempre muito discreta, só usava suas joias de cunho pessoal, nunca usou as joias do cofre Imperial, as tais “joias da coroa”. A mídia zombava de uma Imperatriz que se vestia como uma senhora de classe média.

35. A maioria das joias particulares de família foram leiloadas e outras roubadas pelos militares dias após o Golpe de 1889. Já as joias Imperiais foram totalmente saqueadas pelos militares.

 

Fonte: Biblioteca Nacional RJ, IMS RJ, Diário de Pedro II, Acervo Museu Imperial de Petrópolis RJ, IHGB, FGV, Museu Nacional RJ, Bibliografia de José Murilo de Carvalho.
*(Publicado originalmente por Equipe Dom Pedro II do Brasil em https://www.facebook.com/pg/PedroIIBrasil).

“A Perda”

É notório que grande parte dos seres humanos não sabe lidar com a ausência. A bíblia sagrada trás uma narrativa interessante sobre um homem que tivera grandes perdas em um curto espaço de tempo e sem motivo aparente. Seu nome era Jó, as escrituras afirmam que ele era um homem íntegro, reto, temente a Deus e desviava-se do mal.

Jó era tão zeloso que oferecia holocaustos a Deus pela vida de seus filhos temendo que os mesmos houvesse pecado contra o Senhor. Estamos diante de um homem cuja moral é irrepreensível e a mesma fora destacada na reunião celeste em que satanás dialogou com Deus. O Todo poderoso fez questão de tecer comentários positivos sobre as virtudes da pessoa de Jó, tamanha era sua admiração pelo mesmo.

Num dado momento, satanás questionou as ponderações de Deus sob a alegação de que Jó só detinha tal comportamento porque Jeová era com ele e o cercava de toda sorte de bênçãos não permitindo que nenhum mal lhe alcançasse.

O diabo então criou a tese de que a fidelidade de Jó era condicionada as suas posses e a harmonização familiar de que gozara. Deus então deu permissão a satanás para que subtraísse de Jó as suas posses e os seus filhos queridos e assim foi…

É surpreendente a reação deste homem devido à magnitude dos acontecimentos que sofrera: Jó lançou-se em terra e adorou a Deus dizendo: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor.

Porém, satanás não se convenceu da integridade de Jó e atacou a natureza humana do mesmo que em sua concepção faria com que Jó atribuísse a Deus as suas mazelas.

Deus, no entanto, permitiu que o diabo trouxesse uma chaga terrível a Jó submetendo o mesmo a mais uma situação de grande dificuldade. Após ser acometido desta terrível enfermidade, Jó foi abordado por sua esposa que questionou o motivo pelo qual se mantinha sincero diante de Deus e lhe aconselhou a amaldiçoar seu criador e a morrer sob a alegação implícita de que o Senhor que ele servira tão fielmente o havia abandonado.

Essa é uma história muito conhecida que trás ensinamentos importantes sobre a perda. A primeira coisa é que não importa o teu grau de moralidade, caráter, retidão, em algum momento algo lhe será subtraído sem que possa entender o motivo.

Talvez seja a ausência de seus pais, irmãos, amigos, posses, filhos que nem passara pela sua cabeça de isto ocorrer. Em muitos casos, ficará a sensação de impotência diante do acontecido, tentará entender em vão o porquê de tal dor e não vai achar a solução restando-lhe o sentimento de tristeza, revolta e ojeriza contra Deus ou qualquer outra divindade que em algum momento tenhas colocado a vossa confiança.

A segunda lição que esta história nos concede é que: Jó tinha um porto seguro.

Este homem não considerava suas posses, seus filhos, seus empregos e sua esposa maiores e mais importantes do que a Deus.

Com esta reação, a tese de satanás sobre a predileção humana por saúde, posses, família e qualquer outro bem fora aniquilada. Mas isto só acontecera porque Deus era a pessoa mais importante para Jó.

Neste mundo, temos a psicologia, os amigos, o ateísmo que nega a existência de Deus para viver a seu bel prazer sem ter que atribuir a alguém dor ou sofrimento pela vida que leva.

Nós, na qualidade de seres humanos sempre iremos perder. Sempre estaremos em desvantagem. Sempre seremos acometidos por coisas ou ações que abreviarão vidas e posses que detivermos, porque o ser humano além de não saber lidar com a perda não pode prever quando será escamoteado algo de imensurável valor. Eu lhe pergunto: Quem ou o que será o seu refúgio presente em tempos de angústia?

“A chuva que não molha”

Em algum momento de nossas vidas ouvimos ou ainda ouviremos o seguinte conselho:  Fulano, você precisa caminhar pela chuva e não me refiro a um chuvisco qualquer, mas um passeio íntimo ao lado de um belo temporal.

Como se fossem amigos de longa data, divida com ele suas lamúrias. Fale sobre o chefe chato, a esposa (o) impaciente, o irmão imaturo, os amigos inconsequentes que acreditam na chegada da morte somente aos 78 anos enquanto tiram um cochilo. Discorra sobre a decadência da sociedade brasileira, a utopia dos estudantes que acreditam nas promessas do governo, aquele amigo trintão que não está nem aí para nada e empina pipa em frente a sua casa enquanto você acorda cedo para mais uma labuta.

Compartilhe também aquela vez em que você passou por uma criança faminta e temendo chegar atrasado ao trabalho recusou o apelo de seu estômago. Detalhe os momentos em que sua mãe lhe pedira para ir ao mercado comprar um feijão e você disse não porque estava em uma conversa importante no Whatsapp.

Externe os momentos em que seus pensamentos estiveram em outro alguém mesmo na companhia de tua amada (o), fale como gostaria de ver certa pessoa pagando por tudo que lhe fez passar na vida, livre-se daquele jugo que te condena naquela vez em que fraquejou e ficou com a namorada do teu melhor amigo.

Deixa de ser mentiroso! Que chuva é essa que não molha? Será aquela de uma galeria inglesa ou quem sabe a colorida que diverte o povo? Bem, você me pegou! não existe chuva que abra mão da sua naturalidade, no entanto, existe aquela que além de molhar desperta em nossas almas as verdades que não queremos que ninguém saiba e de quebra, nos confronta silenciosamente demonstrando quão ruins podemos ser.

Então, não acha que é hora de banhar sua alma numa louca tempestade?

 

“Meu amigo Bob”

É difícil falar sobre Bob. Bob é aquele sujeito que está disposto a ouvir até os mais absurdos dos impropérios que a mente é capaz de produzir.

Certa vez, na cidadezinha do Facão. Um homem de meia idade foi interpelado por dois seguranças do mercadinho do seu Sebastião surrupiando 1kg de mandioca, 1 potinho de manteiga, 1 cebola, 1 cebolinha e 1 garrafa d’água.

O sujeito foi levado a uma salinha reservada do mercado sem demonstrar agressividade. Seu Sebastião avistou o indivíduo cabisbaixo e todo esmolambado.

— O sinhô não tem vergonha não? Pegando no que é dos outros dessa maneira? Será que pensou que não seria descoberto?

Os seguranças levantaram a sobrancelha afoitos por uma oportunidade de descer o cacete no sujeito.

— Dotô, o senhor vai adesculpar, mas eu perdi o emprego tem 6 meses, minha esposa morreu de câncer há 1 mês deixando a nossa filha Manuela pra mim cuidar sozinho. Gastei meus últimos vinténs com o enterro e hoje já não tenho mais o que comer. Deixei Manu com meu amigo Jairo enquanto saía na rua tentando arrumar trabaio e algo pra ela comer. O sinhô pode me perdoar?

Seu Sebastião era um descendente de Português com muito sangue quente e detestava pessoas indignas, para ele nada, nem a fome justificava meter o bedelho no que é dos outros.

— Ora, pois, pois eu compreendo que é uma situação complicada, mas você não deveria ter feito o que fez. Se tivesse vindo pedir alimento aqui no mercado, eu lhe daria.

— Mas dotô, como eu ia saber? O senhor já viu o olhar de desprezo com que são tratadas as pessoas que pedem algo? Principalmente os moradores de rua parece que acende uma luz num sei onde que faz com que pensem que nós queremos dinheiro para fumar tóxico ou pra beber pinga, pode até ser que em alguns casos isso seja mesmo verdade, mas será que as pessoas são tão incapazes assim de perceber a verdade diante do nariz delas? Eu sou trabalhador, carpinteiro, mas nem mesmo material para produzir algo eu tenho caso contrário não estaria aqui agora. – Ponderou com os olhos marejados.

— Sinto muito, mas não posso fazer nada sobre isso. Ei, Zebedeu, leve esse sujeito até o estacionamento para não causar alvoroço no mercado e chamem a polícia!

Os olhos se arregalaram em desespero por lembrar-se de Manu, mas não ofereceu resistência, de novo…

— É seu ladrãozinho antes da polícia chegar a gente vai ser divertir um pouco. gargalhou Gauchinho ao lado de Zebedeu.

Caminhando normalmente ao lado dos dois armários o homem seguiu em direção ao seu suplício…

A cada passo em direção a saída do mercado a única coisa que lembrava era do rosto sorridente de Manu que aos 9 anos dizia para todo mundo que se tornaria Astronauta.

Pensava ela que os astronautas podiam chegar mais perto de Deus naquelas naves bonitas e assim poder falar com ele sobre seus problemas.

A menina ansiava por esse dia para indagar sobre algumas questões a Deus:

— O Senhor poderia devolver a mainha? Sabe, ela faz falta aqui com a gente principalmente porque painho não é mais o mesmo. Antes, ele sorria, mas agora só quando eu peço pra montar na corcunda dele é que consegue rir.

Ao chegar ao limiar da saída os olhos já estavam banhados em lágrimas.

Gauchinho não aguenta e começa a rir…

— Chegou a hora ladrãozinho, vamos!

— Ei!

uma voz grave chamou atenção dos clientes e funcionários do estabelecimento.

— Pra onde vocês vão levar o Carlos?! Por favor, traga ele aqui, eu o conheço há muitos anos.

—  Carlos? Mas como ele sabe o meu nome? Eu não disse a ninguém, ou melhor, não fui perguntado. Seu corpo se arrepiou e ele fixou o olhar no sorridente homem que o chamara pelo nome.

— Você conhece aquele cara? – Perguntou Zebedeu.

Carlos não sabia o que responder quando em seu interior uma voz cochichou: Diga que me conhece apenas de ouvir falar.

— Bom, eu conheço ele apenas de ouvir falar por aí.

Zebedeu não entendeu nada, mas resolveu ir até o homem.

— Carlos, você não me parece muito bem e faz algum tempo que a gente não se fala. Se não me falhe a memória tem 6 meses que não conversamos.

— Mas, eu te conheço mesmo? Disse Carlos.

— Como eu falei, só de ouvir falar.

Todos arregalaram os olhos sem entender nada.

— O senhor tá de gozação, não é mesmo? Ouviu a nossa conversa ali perto da porta?

— Eu não preciso fazer isso porque meus ouvidos estão em todos os lugares.

— Eu hein, que sujeito esquisito. – Ponderou Gauchinho.

— O senhor vai me desculpar, mas estamos com pressa já que cumprimentou o Carlos nós precisamos sair agora.

— Foi como eu disse: conheço esse rapaz antes do seu nascimento. E vocês não precisam leva-lo. Ele se arrependeu posso ver isso claramente em seu coração.

— Mas arrependimento não paga mercadoria roubada e nem ajusta as contas com a justiça. Vamos leva-lo acabou!

— Sim, vocês têm esse direito, no entanto, até a polícia chegar o Carlos será espancado por vocês não é mesmo, Zebedeu?

Zebedeu arrepiou-se todo e perguntou: — Mas quem é você? E como pode saber disso?

O homem sorriu e respondeu: Ora, isso depende muito do país onde você mora porque me chamam de muitos nomes.

— Tá mangando de nós? — Disse Gauchinho franzindo a testa.

— Não, de maneira alguma. Vamos fazer um acordo: Eu pago o prejuízo que ele não chegou a usufruir e faço uma compra no valor de R$600,00 o que vocês acham?

— O senhor fala sério? Disse o estupefato Carlos.

— Mas é claro que sim Carlos. Uma das coisas que mais abomino no ser humano é a mentira e o sujeito que se beneficia dela é bem asqueroso. – Decaiu o semblante.

— Mas eu não tenho como pagar o sinhô.

O homem de barba branca e olhos castanhos gargalhou por um momento.

— Por que está achando engraçado? Eu falo sério!

— Não precisa me pagar nada, na verdade, eu perdoei sua dívida há muitos anos atrás.

— Então, vamos às compras?

— Sossegue aí moço que vou perguntar se o patrão concorda:

— Alô, seu Sebastião. Então, tem um homem esquisito aqui falando que conhece o sujeito que surrupiou as compras e disse que vai pagar pelo que ele furtou e fará uma aquisição de R$600,00 em produtos do mercado. Posso liberar?!

— Por que me ligou homem? Claro que pode! Olha pra essa loja… A cada dia temos menos fregueses. Libere logo o sujeito! — Ora pois, pois…

— Boas notícias! O patrão liberou. — Gauchinho deu de ombros demonstrando decepção com a notícia.

— Moço, de verdade, não conheço o senhor e não tenho a mínima condição de te agradecer por isso. – Disse Carlos com os olhos faiscantes.

O homem deu um sorriso simples e respondeu:

— Na verdade, você pode agradecer a Manuela porque ela falou comigo hoje que o pai dela estava com problemas e pediu para te acompanhar até o mercado. Na verdade, eu já estaria aqui de qualquer maneira, mas ela pediu com tanta vontade que eu resolvi não apenas vir, mas ajudar também.

— Depois eu tenho que falar com a minha filha como ela conheceu o senhor. Mas aqui nessa terra, o senhor tem algum nome?

— Pode me chamar de Bob, foi sua filha quem me deu esse nome.

“As Consequências da Ilusão”

O caminho de volta para casa parecia interminável. Nas mãos, o celular ainda desligado pelo temor de ouvir os questionamentos da esposa e não saber o que dizer.

Felipe mal podia acreditar na escolha que havia feito. Porém, os olhos, o cheiro e o doce aroma de Amanda eram a única coisa que sua mente lembrava naquele momento. As três horas em que passou no motel com a moça não desapareceriam tão facilmente.

O rapaz observou um casal que estava acomodado a dois bancos de distância no lardo esquerdo do ônibus. A moça de pele amorenada pelo sol aparentava ter uns 32 anos, trajava um vestido clássico branco com pintinhas rosas abaixo da linha do joelho e um laço no cabelo. Admirou-a por um tempo porque a única pessoa de seu convívio que se vestia daquela maneira era sua esposa, Fernanda.

O homem ao lado daquela moça familiar trajava uma calça caqui, sapato marrom, suspensório, blusão branco e um chapéu fedora acinzentado. Levava consigo um livro de título: “Família ou o que sobrou dela”. Entre ambos, estava o real motivo pelo qual o casal não parava de sorrir, um bebê de aproximadamente 5 meses de vida movia-se com grande volúpia enquanto o pai o segurava.

Num dado momento a mãe da criança admirando-a disse: — Filho, você era a única coisa que nos faltava e com certeza irei fazer de tudo para que siga os caminhos de seu pai sendo uma pessoa responsável e que ame incondicionalmente sua futura esposa como seu pai a mim.

O homem abriu um largo sorriso e sentira os olhos marejarem. — Amor, já estamos perto de casa. — Disse a mulher. — É mesmo, mais um pouco e eu esqueceria de puxar a cigarra. Sorriram.

Felipe lembrou-se do belo corpo que desfrutara há poucos minutos atrás e pensou baixinho: — Nossa, se eu tivesse um filho com a Amanda tenho certeza que seria tão bonito quanto desse casal que acabou de descer.

O processo de elucubração foi interrompido pela imagem do livro que o sujeito do ônibus segurava: “Família ou o que restou dela” …

Em casa, Fernanda estava sentada à mesa com os candelabros apagados acompanhada apenas do celular e 80 chamadas não atendidas direcionadas a Felipe. Pensou em entrar em contato com o irmão que era policial para verificar se havia acontecido alguma coisa próxima ao shopping que Felipe mencionou que estaria.

Ainda que fosse uma pessoa muito centrada, a preocupação que sentia era perceptível, pois o marido jamais havia feito aquilo. Era quase que uma certeza que alguma coisa de ruim poderia ter acontecido.

Ela leva as mãos a barriga, olha para o céu dizendo: — Deus, só o senhor pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo eu lhe peço por favor: dê-me notícias do Felipe, proteja-o, traga-o para casa para que sigamos sendo uma família feliz. Amém.

Olhou mais uma vez para o celular e percebeu que já passavam das 23:40…

Felipe desceu do ônibus e pensou em manter o celular desligado porque este seria seu álibi para justificar a falta de contato, mas sabia que a esposa provavelmente não aceitaria aquela desculpa e ligou deixando-o no modo vibracall sem verificar quaisquer mensagens ou chamadas que possa ter recebido.

O caminho para a casa não era longo, poucos quarteirões separavam o jovem de seu destino. O silêncio das ruas contrastava com a agitação de sua alma. — O que farei? Como vou lidar com essa situação? Por que fiz o que fiz? Por que não sinto pesar dessa decisão? Por que penso em largar tudo agora mesmo e ir atrás da Amanda?

A maçaneta da porta mexeu-se para o lado de abertura e junto com ela os olhos vermelhos de Fernanda acompanhava o movimento…

— Oi, amor. Finalmente consegui chegar em casa e quero dizer que…

Antes mesmo que pudesse iniciar sua explicação a mulher lhe deu um abraço tão firme e caloroso quanto as lágrimas que caiam de seus olhos.

— Eu pensei que você tivesse…

—  Calma, calma, eu estou aqui, mas agora tenho que tomar banho porque estou muito suado e depois conversamos. Até daqui a pouco!

Antes que completasse o quinto degrau para chegar ao banheiro de seu sobrado Fernanda grita: — Ei, deixe sua mochila aqui porque ela não precisa tomar banho contigo.

Felipe não sabia o que fazer… a aliança estava ali dentro junto com o celular. Fernanda não tinha percebido por conta de seu estado emocional alterado ela só queria saber se Felipe estava bem, mas deixar a bolsa ali era brincar muito com a sorte pensou ele.

— Amor, você sabe como gosto de levar as minhas tralhas para o banheiro, nè? Ah, e eu comprei o novo mangá daquele anime que eu gosto o Nanatsu No Taizai e quero começar a ler no banheiro mesmo. Joga pra mim a mochila!

— Mas se for só isso amor, eu abro e te dou porque não tem necessidade de levar essa mochila pesada para o banheiro.

Por um momento, Fernanda pôde perceber a face de Felipe mudar e o rapaz subiu o tom de voz:

— Acontece Fernanda, que dessa vez eu quero levá-la, será que você poderia jogá-la pra mim ou terei que ir pegá-la?

Fernanda temeu pela primeira vez em 4 anos de casados. O sempre gentil Felipe parece ter se transformado em outra pessoa por um momento.

— Se quer mesmo, venha buscá-la seu ignorante! Pois foi você mesmo que a deixou aqui ao me abraçar.

Sem pensar duas vezes, Felipe desceu e arrancou a mochila das mãos de Fernanda com toda a força que pôde empregar e subiu correndo.

A jovem sentou-se aos pés da escada inconsolável, colocou a cabeça entre as pernas e iniciou um choro compulsivo por não conseguir entender o motivo da atitude de seu esposo quando fora interrompida pela vibração do celular que estava no chão próximo a ela. Felipe deixara cair do pequeno bolso da mochila ao empregar força desproporcional.

Não havia dúvidas, aquele era o aparelho de Felipe e havia duas SMS aguardando leitura:

— Que noite maravilhosa nós tivemos. Viu como o destino sorriu pra você?

— Ah, e não esquece tá? Agora que reapareci em sua vida, eu não vou sair mais. Beijinhos do seu neném. — Amanda.

 

— Isso não pode ser verdade, é mentira, É MENTIRA! Gritou.

No banheiro, Felipe tomava uma ducha gelada e o som da mesma abafara o grito de sua esposa.

— Miserável, cafajeste, inconsequente eu estou esperando um bebê seu e você me faz isso…

Correu até a cozinha desorientada em busca de um objeto cortante para desafiar Felipe…

De repente, sua cabeça começou a rodar e a visão ficou turva. A jovem tentou apoiar-se em uma das cadeiras da cozinha para sentar-se à mesa, mas não conseguiu e acabou caindo perdendo os sentidos batendo com a barriga na inclinação que antecedia o azulejo da cozinha.

O som daquele impacto chega até Felipe que já havia desligado o chuveiro. Ele desce correndo e contempla o corpo de sua esposa com pouca pulsação caído próximo a mesa da cozinha.

— Amor, amor, amor! Fala comigo, anda. Vai!

— Meu Deus, ela tá gelada!

— Acorda, Nanda, acorda!

— Preciso do telefone, preciso chamar um médico.

A família detinha um plano que contemplava atendimento de urgência e emergência domiciliar e o hospital ficava há 10 minutos do local. Não ia demorar, mas precisava encontrar o telefone porque seu carro estava emprestado com seu irmão que viajara a negócios naquele dia!

— Deus, Deus, onde está esse maldito telefone!

Procurou ao redor, nos bolsos, na mochila, não o vendo temeu. Olhou para baixo e viu o mesmo caído próximo a mão direita de sua esposa, pegou o smartphone da mão dela…

— O que foi que eu fiz!

Transtornado pelo acontecimento, pegou sua esposa no colo com cuidado e a deitou ainda desacordada no sofá da sala. Discou para a emergência do hospital solicitando socorro, contemplou a sala por um momento e viu que a mesa estava posta com uma linda toalha vermelha, candelabros e um envelope azul.

Pegou o papel que estava todo perfumado, uma gota de lágrima pingou sobre o mesmo e ele o abriu:

— Oi, papai chegarei em 7 meses. Até lá, cuida bem da mãe, tá bom?!

“O Encontro com a Ilusão”

Era uma quarta-feira comum na cidade do Rio de Janeiro, mas bem que poderia ser de cinzas onde os extasiados foliões se dão conta de seus exageros e das decisões que tomaram. Em busca de remissão de seus “delitos” juram de pés juntos que este foi o último carnaval em que enfiaram os pés pelas mãos. Será?!

Felipe anda na contramão da maioria dos jovens cariocas: não bebe, não fuma, quase não sai de casa. Sua vida se resume praticamente ao trabalho de auxiliar de biblioteca, leituras e pesquisas sobre história do Brasil, filmes e cultura japonesa.

O jovem que completara 28 anos em maio deste ano é casado com a elegante Fernanda. Uma mulher de caráter singular que desde os 15 anos ora a Deus para que lhe dê um marido que cuide dela e acima de tudo lhe seja fiel até a morte. Fernanda acreditava que o ser humano só escolhe o errado se quiser e que as variáveis que contribuem para sair do “caminho” são meros pretextos.

Nada podia ser melhor na vida de ambos. Fernanda acabou de ser promovida e ocupará um importante cargo de liderança na empresa que tanto batalhou para ser contratada. Em sua bolsa, estava uma surpresa que faria a Felipe como uma extensão de seu aniversário.

Ela mal podia esperar para que o esposo regressasse ao lar…

Felipe saiu do trabalho um pouco mais tarde a pedido de seu chefe que o incumbiu de apresentar o novo sistema de localização de livros aos recém-contratados. Sua face apresentava sinais de cansaço, porém satisfeito por cumprir a tarefa com muita propriedade.

Apercebido que não dava um presente a sua esposa há muito tempo resolveu passar no shopping que ficava há dois bairros de sua casa. Vestido com uma calça jeans escura, sapato preto, cinto da mesma cor e um blusão social rosa adentrou numa famosa perfumaria do belo centro comercial da zona norte carioca.

Tateou a prateleira por alguns segundos em busca do perfume que Fernanda adorava: Wish.

Não achando o que queria virou-se para o balcão em busca de informação e antes que a balconista pudesse explicar, uma doce voz acompanhada de um toque suave nos ombros do jovem respondeu: — Deixa que eu atendo! Antes mesmo que virasse para trás um calafrio tomou conta do corpo de Felipe que vagarosamente mudou a postura em direção a voz.

— Eu não posso acreditar: É você mesma, Amanda?! Disse o espantado jovem.

Com um largo sorriso a moça maneia a cabeça positivamente.

— Mas acho que não está contente em me ver porque sua fisionomia parece com um garoto que acabou de tomar o pior susto da sua vida! (Sorriu a moça).

— Não é para menos, faz seis anos que não tenho notícias tuas quiçá sei onde foi parar. Ponderou o jovem

— Eu sei que sumi, mas tive meus motivos. A propósito: Hoje é meu primeiro dia trabalhando aqui e está quase na hora de eu sair, o que acha de me esperar para que eu lhe conte o que fiz durante todo esse tempo?

— É que eu já estou indo para casa e como você está trabalhando aqui, acredito que não faltarão oportunidades para isto. Disse ele com os batimentos acelerados.

— Poxa, mas é rapidinho. Eu estava com saudades, sabia? Pensei em você e hoje estava até falando com a minha irmã: Como será que está o Felipe?

— Tudo bem, mas eu não posso demorar.  Ponderou.

— Não vou tomar-lhe muito tempo, prometo.

— Então, até daqui a pouco, te espero na praça de alimentação.

— Ei, mas e o perfume, desistiu?!

— Sim, deixa para outro dia.

Em casa, Fernanda preparava o jantar com a comida que Felipe mais aprecia: Lasanha! Música ambiente, dois candelabros com velas e um pequeno envelope minuciosamente embrulhado em papel de presente contendo o resultado do exame de gravidez.

No entanto, ela olha para o relógio e verifica que já está ficando tarde e o marido não chegou ainda. Resolve ligar:

— Alô, amor! Vida, onde você está? Estou preocupada.

— Amor, não se preocupe, está tudo bem é que tive de ficar até mais tarde para dar uma instrução aos novos funcionários e depois disso resolvi passar no shopping para comprar uma coisa.

— Entendi, mas você bem que poderia ter me avisado ou enviado uma mensagem, hein?

— Isso é verdade, me desculpe.

— Tá bom amor, mas vem logo pra casa, OK?

— Pode deixar.

O calafrio que sentira por reencontrar Amanda deu lugar ao medo de ser visto por alguém que o conhecesse na companhia de outra mulher e por ter omitido sobre o real motivo de tê-lo feito permanecer no shopping.

A sensual e sorridente Amanda surge na praça, acomoda-se de frente para Felipe e o olha fixamente com seus olhos esverdeados, cabelo ruivo e batom vermelho.

O jovem começa a suar frio e arrepender-se por estar ali.

— Então, não vai me perguntar nada? Vai ficar me olhando com essa cara de cachorro assustado em fogos de ano novo?

Um sorriso tímido e amarelo brotou em Felipe.

— Bem Amanda, é que eu não esperava mesmo encontrá-la aqui. Pois depois da formatura do ensino médio eu nunca mais tive notícias tuas.

Procurei por muito tempo… Fiz contatos com nossos ex-colegas, mas todos eram enfáticos ao afirmar que não sabiam do teu paradeiro e eu tinha algo para lhe falar que não consegui nos três anos em que fomos da mesma turma.

— Sério?! E o que era? Aproveite que estou na sua frente agora.

— Não, agora isso não importa mais, pois o tempo não pode retroceder.

— Isso você tem razão, mas há de concordar comigo que o destino muitas vezes nos premia com situações em que não podemos deixar passar, não é mesmo? – sorri fitando-lhe o acuado olhar.

— Sim e não. O destino não pode estar acima de nossa ética e moral.

Amanda olha para o dedo anelar esquerdo de Felipe e percebe a aliança.

— Agora entendo o motivo de você estar tão na defensiva. É o seu casamento que o impede com que sorria para o destino. Mas você está errado Felipe. O mundo mudou, o que tínhamos como certo antigamente, hoje já não é mais. Existem várias formas de amor e de verdade. Por exemplo, você pode ser fiel a sua esposa sentimentalmente, mas ter a satisfação de uma noite de sexo sem que isto prejudique a relação de vocês. (cruzou as pernas lentamente com seu apertado vestido preto).

— Amanda, eu nunca observei a vida por essa ótica, talvez você possa estar certa, talvez…

A linda jovem segura carinhosamente às mãos do rapaz e cochicha ao pé do ouvido:

— O que você acha de colocarmos em prática o que acabei de te explicar?

Felipe começa a suar… Amanda além de bela era muito boa com as palavras.

O rapaz olha para aliança, coloca as mãos sobre as pernas, retira o símbolo de seu compromisso dos dedos, coloca na mochila e desliga o celular…

 

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